sexta-feira, 30 de março de 2007

A Sida e suas consequências sociais

Breve perspectiva histórica da sida

Foi no ano de 1981 e nas cidades norte – americanas de S. Francisco e de Nova Iorque, que foram identificados os primeiros pacientes com sida (D.Miller1988).
Não deixa de ser estranho que os primeiros casos de sida tenham sido só descobertos em 1981.
Porque terá esperado o vírus até ao final do século para se manifestar? Terá sido verdade que só recentemente se terá manifestado no nosso planeta?
Estudos retrospectivos sobre soros, conservados desde a década de 70, fornecem alguns esclarecimentos sobre estas questões.
Entre 1971 e 1980, uma equipa de médicos belgas recolheu soros de raparigas zairenses que tinham recentemente dado á luz. A finalidade na altura era o estudo de hepatite B e infecção extremamente frequente naquela região de Africa. Por sorte estes soros tinham sido congelados, o que iria permitir realizar a pesquisa de anticorpos característicos da infecção pelo HIV. Os resultados destes estudos, demonstram que dos oitocentos soros colhidos em 1970, apenas dois eram seropositivos, o que demonstra que apenas 0,25 por cento das mulheres estudadas se encontravam contaminadas.
Em contrapartida em 1980, relativamente a um grupo análogo de mulheres três por cento dos soros eram seropositivos. Foi portanto concluído que o vírus da SIDA já existia no Zaire em 1970, embora muito pouco difundido.
Ao longo de 10 anos, a transmissão do vírus nesta região revestia-se já de algum significado. Por outro lado, sabia-se que existia uma muito maior variedade de estirpes na Africa Central do que em qualquer outra parte do mundo. Tudo leva a crer que os vírus da SIDA seriam provenientes de África e que seria a partir dai que eles teriam gradualmente propagado pelo mundo inteiro.

Aspectos sócio culturais na Sida

As características do cenário em que a Sida entrou em cena, na nossa sociedade, suscitou de imediato uma resposta social que foi essencialmente discriminatória e culpabilizadora para a maioria das pessoas afectadas
A evolução histórica da sida, foi criando um estigma em torno da doença, que afectava grupos sociais já por si rejeitados pela própria sociedade, como são os homossexuais, prostitutas e toxicodependentes. Com a introdução da doença, a sociedade passa a admitir que esses grupos tinham agora um “castigo” pelos seus comportamentos de transgressão á norma social.
Movimentos religiosos num mau aproveitamento desta situação dramática, afirmaram que cada doença era um castigo de Deus relativamente ao pecado da sexualidade, origem deste flagelo. Confundia-se contágio com transmissão quando, de facto, esta doença não é contagiosa, é simplesmente transmitida, provocou-se o medo colectivo que gerou a marginalização sistemática de todos os infectados com HIV.
Situações como esta deram origem à exclusão social dos doentes com Sida, muitos deles culpabilizados pelo comportamento sexual, estigmatizados por julgarem constituir uma ameaça para a saúde publica e quase abandonados á sua própria sorte por não merecerem solidariedade dos outros cidadãos.
Em todos os terrenos e com todas as armas, combate-se o vírus da sida e o não menos insidioso vírus da descriminação.

Não podemos passar ao lado desta situação sem que seja feita a justiça das palavras que estamos a utilizar. O termo discriminar significa fazer discriminação!
Na esfera do direito, a Convenção Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1966, em seu artigo 1º, conceitua discriminação como sendo: “Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor descendência ou origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em pé de igualdade de direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, económico, social, cultural ou em qualquer outro domínio da vida pública. ‘


Será que este artigo é mais um no meio de tantos outros?
De que morrem os seropositivos de doença, discriminação, marginalização, enterro da imagem social, solidão ou tristeza?
E se as pessoas fossem discriminadas e culpabilizadas quando estão constipadas, afinal também são responsáveis por estarem doentes e alem do mais também podem transmitir a constipação!?
Porque será que continuamos a discriminar sem pensar? E se fosses tu como te sentirias?

As implicações da relação social da Sida

O facto de inicialmente ter sido transmitida a mensagem de que a pessoa que não pertencia aos principais grupos de risco, estava á partida imune, deve de ter contribuído para uma maior disseminação da doença. Paralelamente a este acontecimento as pessoas afectadas com Sida passam a ser consideradas vítimas “culposas” do seu estatuto, visto que se não tivesse aquele comportamento desviante certamente não estariam doentes.
A sociedade ao admitir a culpabilidade das pessoas na sua própria doença, admite também que é legítimo ignora-las ou pior ainda distanciar-se delas.
Como consequência desta situação, instala-se um pouco a revolta social contra estes doentes, visto que para alem do perigo de infecção que representam, também são considerados grande sobrecarga financeira para a sociedade em geral.
As consequências desta atitude social, reflecte-se em diversas questões de natureza prática e ética das pessoas afectadas, tais como:
· Marginalização no emprego: sendo os doentes despedidos ou reformados prematuramente dos seus postos de trabalho. Esta situação para alem de corresponder a uma limitação financeira também contribuiu para uma limitação no campo interpessoal;
· Companhias de seguros que começam a impor medidas severas: restringindo ou mesmo rescindindo contractos estabelecidos inicialmente com seropositivos;
· Lazer: a população sadia manifesta claramente os seus receios de convivência com pessoas afectadas, optando infelizmente por um afastamento e discriminação.

Uma possível explicação para estas atitudes em massa de uma mesma sociedade, deve-se em parte à exploração sensacionalista dos meios de comunicação social potencializada por um cepticismo relativamente aos avanços da ciência que não tinham progredido para conseguir proteger e tranquilizar a população, relativamente a riscos reais de transmissão.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Quando no início desta semana decidir colocar um post acerca da discriminação dos doentes com HIV e coloquei o filme em que um individuo andava na rua com uma placa a dizer "Free Hugs", ainda não sabia da existência dos "Oscars YouTube 2007". Qual não é a minha surpresa quando ontem, dia 27 de Março, estava a ler o Jornal de Notícias e aparece uma notícia sobre estes oscars, que começa assim: "Comunidade online ficou ontem a conhecer os utilizadores mais originais e criativos de 2006. YouTube premeia os que contribuiram para que a empresa se tornasse no fenómeno da internet.".
Estes prémios estavam divididos em 7 categorias: Criatividade, Inspiração, Série, Comédia, Música do Ano, Videocomentário e Vídeo mais adorável. O filme postado neste blog está entre um dos vencedores, venceu o prémio de inspiração. Relembro que este vídeo foi inspirado numa sociedade desligada e com falta de contacto humano, na qual a missão de Juan Mann era conseguir abraços de estranhos com o objectivo de alegrar mais as suas vidas!

segunda-feira, 26 de março de 2007

Sida

A sida não se transmite por um abraço ou um carinho. Não à discriminação dos doentes com HIV!

sexta-feira, 23 de março de 2007

Sabia que?


Sabia que a fita vermelha é um símbolo da solidariedade pelas pessoas infectadas com o VIH e por aquelas que têm de viver com SIDA?

quinta-feira, 22 de março de 2007

Family Guy - Aids Song

uma maneira engraçada de ver um problema real...

Filme - "Filadélfia"


Andrew (Tom Hanks), um jovem e promissor advogado, é despedido da firma em que trabalha. Dizem-lhe que não tem capacidade para o lugar. Andrew sabe que é devido a ter contraído SIDA. Determinado a defender a sua dignidade e a sua reputação profissional, Andrew contrata Joe Miller (Denzel Washington), um anónimo advogado especializado em casos de ofensas pessoais, para processar os seus ex-patrões por despedimento sem justa causa. A amizade entre eles vai crescendo à medida que a sua causa triunfa e a sua coragem ultrapassa o preconceito e a corrupção dos seus poderosos adversários.

O filme aborda a descriminação existente em relação a pessoas que possuem o vírus HIV, mostra que mesmo que estas tenham conhecimento que este apenas se transmite através do contacto com sangue, secreções vaginais e esperma, tendem a manter uma certa distância e receio das pessoas portadoras do vírus. É um filme muito interessante para as pessoas reflectirem e perceberem que podem conviver perfeitamente com pessoas que possuam o vírus. É ainda um filme sobre a integridade e a dignidade humana.

SIDA



O que é a Sida?


A palavra SIDA é formada pelas primeiras letras duma situação clínica muito grave, designada por SINDROMA DE IMUNODEFICIÊNCIA ADQUIRIDA.

É uma doença provocado por VÍRUS, designados por HIV1 e HIV2 da família dos retrovírus.

Uma vez instalado esse vírus, para se desenvolver e reproduzir, invade e destrói certo tipo de células do sangue (os Linfócitos T 4), que são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra Infecções e contra Tumores (na imagem aparece o vírus VIH a invadir um linfócito).
Esta doença, na fase final de evolução, provoca portanto uma diminuição total da capacidade do nosso organismo de resistir a infecções, mesmo as mais simples e mais correntes, tornado-as tão graves e tão difíceis de tratar, que acabam por conduzir à morte.